terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Bichos

Há duas noites deitei-me a pensar...é nisto que acabam as insónias, pensamentos soltos mas que acabam por ir construindo um puzzle que até faz sentido.

Sempre fui uma daquelas pessoas que adora cães...de certa forma sempre me identifiquei com aquilo que representam: fidelidade, amizade, atenção, carinho. Mas nas voltas da vida comecei a adoptar uma postura mais...como um gato...aquela independência mascarada, que me faz voltar ao ninho depois de vaguear, o mistério da sedução, a provocação subtil. Na verdade deixei de ser eu, para ser alguém que existia dentro de mim mas que eu nunca tinha conhecido. Até ao dia em que me senti...como um pardal numa gaiola...tinha asas mas não me deixavam voar, em vez se cantar só tinha um vago lamento triste que saía lentamente...

Hoje olho para mim e sei que afinal, sou uma mistura de tudo isto...foi tudo o que vivi que me fez como sou, e o que vou ser, só a vida o dirá...

E é curioso...o cão e o gato até se dão bem, uniram forças e soltaram o pardal, que agora voa e canta, saltitante...

Conclusão ensonada...tirada já fora de horas:
Sou realmente um bicho estranho...

Moonshadow

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Um outro ponto de vista

O medo é uma coisa fantástica, quando misturado com a força de vontade... Obriga-nos a procurar a parte boa das coisas...mesmo das que parecem más...

Assim percebi que:

Se sofri, foi porque tinha algo para aprender - cresci.
Se fiquei triste, foi porque de facto senti algo forte - e eu sempre gostei de emoções fortes.
Se chorei, foi porque um dia, em qualquer altura sorri e fui feliz.
Se sinto saudades, é porque valeu a pena.
Se sinto raiva é porque deixou de valer a pena.

Se tenho medo de abrir o meu coração, é porque pelo menos tenho vontade de voltar a amar.
Se tenho receio de magoar alguém, é porque apesar de tudo não perdi a sensibilidade.
Se desconfio, é porque sinto necessidade de me proteger.

Se olho para a frente e vejo apenas um ponto...é porque ao fundo do túnel há uma luz...

E se o céu à noite é escuro...é porque só quando estamos na escuridão é que conseguimos encontrar estrelas...=)

Moonshadow

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Pedro e o Lobo

O Pedro gostava de brincar na floresta e ás vezes, por brincadeira, gritava "Lobo!! Lobo!!! Socorro!!"...No início toda a gente acudia...depois as pessoas deixaram de acreditar...e...no dia em que o Pedro realmente viu o lobo...ninguém lá foi...porque já ninguém acreditava nele.

Assim me sinto...como o Pedro, perdido na floresta, com o lobo à frente mas sem acreditar sequer que o estou a ver...sinto que me fechei numa brincadeira perigosa...e agora...o não acredito no meu coração...a brincadeira que foste fechou-me, tenho medo de entrar na floresta, desconfio a cada passo que dou...

De tantas vezes que o meu coração gritou 'Lobo!!'...agora grita, grita...e eu não sei se o consigo ouvir...não acredito que o estou a ouvir...tenho medo de o ouvir...

Mas...e se de facto for um lobo...??

Moonshadow

domingo, 24 de outubro de 2010

Construí um castelo...de paredes sólidas e portas de ferro pesadas...guardei lá o mais delicado sentimento dentro de uma caixa de cristal, e deixei a mais ardente chama iluminar todos os candelabros existentes...
Alimentei o sentimento, dei força à chama para não se apagar. Quis acreditar que a minha chama chegaria para iluminar o teu mundo, e protegi-a do vento para que não se apagasse...

Mas um dia tudo tremeu...sopraste a chama e o castelo pegou fogo, as paredes que eu julgava tão sólidas afinal estavam assentes em nuvens e desmoronaram-se como dominó...pouco sobrou do meu castelo de ilusões. A violência das chamas está a deixar tudo em cinza, os portões de ferro já caíram e das paredes nada resta...ficou apenas a caixa de cristal, com o sentimento delicado que guardei, mas até essa está agora exposta a tudo, desprotegida de todos os ataques que sofre...até que um dia se desfaça em cacos...

Moonshadow

sábado, 28 de agosto de 2010

Como sempre...

Como sempre o vazio, como sempre o silêncio...
Como sempre uma distância que me dói...
Hoje já nem sei ao certo se existes...
O silêncio e a falta da tua presença...
Quem existe aparece, quem existe diz 'olá'...

Como sempre a solidão...como sempre a noite, fria como o coração...
Como sempre o sufoco de não ter motivo para respirar...

Como sempre eu...só eu...e as lágrimas que não consigo soltar...
Eu...só eu...como sempre desejando não estar aqui...

Moonshadow

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O vazio do teu silêncio...

Do teu silêncio solto o meu grito...

Não que o silêncio seja necessariamente um mau presságio, mas traz-me um vazio sufocante...
Não que o silêncio não seja preferível a uma má resposta...mas deixa no ar um sentimento vago...

Não que o silêncio não possa ser uma resposta...mas não é uma tomada de posição...

Perante este silêncio...pergunto-me...será que não falei demais???

Moonshadow

sábado, 14 de agosto de 2010

Somewhere between heaven and hell

Como se vagueasse algures...
Como se os meus pés andassem pela beira-mar mas pisassem vidro...
Sinto que és ar, mas não consigo respirar...porque me sufoca saber que cada sorriso, cada toque, cada palavra é proibida...porque me magoa saber que nunca vai passar daquilo que é: nada!

Um nada que é tão doce mas que amarga tanto o meu coração...um vazio enorme que é preenchido pela tua imagem todos os dias...um sufoco que só acalma por segundos...no momento em que olhas e sorris...

Não sei como aguento, não tenho certeza que consiga aguentar...sinto-me a rebentar de um sentimento que não devia ter...

Sinto-me no inferno...mesmo quando subo ao céu contigo...